sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Tá tudo dominado II

200 partidas manipuladas, em 9 países europeus.

3 partidas da Champions League.

Mas calma, porque nos próximos anos muitos outros escândalos virão.

Quem acompanha o blog tem certeza disso.

Querem apostar ?

Mais mudanças a caminho

Em 16/09 último, publiquei um post chamado "Uma luz no fim do túnel". Tratava da reformulação do projeto da futura arena de Cuiabá para 2014, tornando-a redutível dos absurdos 45.000 lugares para sensatos 28.000.
Pois ontem, surge a notícia da provável reformulação do projeto de Natal dentro da mesma ótica, ou seja, reduzir a capacidade da futura arena de 45.000 para 30.000 lugares.
Incrível como passados quase 6 meses das escolhas, constatamos que os projetos não existem. Os que existiam, estão sendo alterados em vista dos absurdos de concepção, e os que não existiam, continuam não existindo. Nenhum edital foi publicado até agora, o que confirma essa impressão.
Menos mal que as alterações pretendidas para as duas cidades citadas sejam muito bem vindas.
O secretario de Turismo do RN, Fernando Fernandes, informa que nos EUA já existe uma tecnologia que permite a redução de capacidade.

Pois é, uma pena que o secretário não acompanhe esse blog. Na verdade a técnica conhecida como "steel framing" já existe há décadas. Há poucos anos algumas empresas desenvolveram produtos voltados para o segmento esportivo e desde então vários projetos já se utilizaram deles. O SPS (Sandwich Plate System) por exemplo, já foi utilizado em 2007 no hipódromo de Ascot, e várias das arenas usadas na EuroCopa de 2008,tanto na Suíça como na Áustria, tambem sofreram reduções.

Espero que o bom senso alcance outros projetos, especialmente na Amazônia e no planalto central...

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Os maus exemplos

Semana passada foi colocado o teto que recobre o Centro Aquático do parque Olímpico dos jogos de Londres 2012. Em forma de onda, a estrutura pesa 2.800 toneladas.
O equipamento é composto de duas piscinas de 50m, uma de 25m, e uma torre de saltos.
O projeto é muito bonito, mas...sempre tem um mas...
O custo orçado no projeto apresentado ao COI, era de 70 milhões. Fechou em 250 milhões. De libras !!! (750 milhões de reais). E 100% dinheiro público.

Nossas autoridades olímpicas, e não olímpicas, andam enamoradas pela eficiência, experiência, e qualidade na gestão de projetos dos britanicos. Têm ido com frequência à ilha acompanhar os preparativos, e voltam maravilhados com o que viram. Será que é para tanto ? Confesso que não sou dos maiores admiradores dos gestores de sua majestade.
Além dos orçamentos estourados para a Olimpíada (de 4 bilhões de libras já ultrapassou os 9 bilhões), não podemos esquecer o maior "case" de incompetência de gestão de todos os tempos no esporte, que foi a construção do novo Wembley. Um exemplo clássico de tudo que não se deve fazer nessa área.

Agora, já pensaram se para 2016 nosso comitê organizador faz o mesmo ? O mundo viria abaixo. Lá, nem tanto.

Acho que seria melhor deixarmos a Inglaterra um pouco de lado, e mirarmos outros exemplos, até porque, know-how em estourar orçamentos nós já temos.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Mais do mesmo

O Botafogo comunicou semana passada alguns dos projetos para o estádio Olímpico em 2010. Como meus 6 leitores fiéis sabem, durante o período de fechamento do Maracanã (em reforma para 2014), aquele estádio será o principal local de jogos no Rio de Janeiro.
O clube começa a se mexer com 2 anos de atraso.
Entre as novidades, o fechamento de parcerias com estabelecimentos de alimentação para a diversificação dos produtos oferecidos, e para incentivar os frequentadores a passar mais tempo no estádio ( será que a Casa da Empada ou o Forno de Minas vão fazer os torcedores chegarem mais cedo ao jogo ?). Tambem vão acelerar a realização de shows (no gramado???).
É muito pouco, mas melhor que nada.
A questão crucial porém, ainda não foi revelada (se é que será...) pelo clube.
Nesse período em que o estádio irá sediar a maioria dos jogos de Botafogo, Flamengo e Fluminense, o clube irá receber um % das rendas a exemplo da Suderj com o Maracanã ?
O torcedor do Botafogo terá algum privilégio pelo fato do estádio pertencer ao clube ?
Essas são questões importantes, que os torcedores do Botafogo me perguntam, e para os quais respondo de forma singela.
Não sei.
Alguem sabe ?

sábado, 14 de novembro de 2009

Frase da Semana

"Essa punição equivale a punir o prédio porque a pessoa se atirou na piscina do local. Nós não temos nada com isso".

A pérola acima foi proferida essa semana pelo diretor do São Paulo, Marco Aurélio Cunha, a propósito da perda do mando de campo do clube, em razão de uma invasão de campo.

Vamos ver se entendi. O SPFC é o proprietário e operador do estádio. O SPFC por conseguinte, é o responsável não só pela segurança interna, como também pela manutenção do estádio.

Então, se "nós não temos nada com isso", quem é que tem, cara pálida ?????

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Exemplos, modelos e semelhanças

Ontem foi inaugurado o Novo Estádio Corona,em Torréon, México, com o amistoso entre o Santos Laguna, que se utiliza do estádio, e o Santos brasileiro.
O estádio custou 1 bilhão de pesos mexicanos, e tem capacidade para 30.000 lugares, podendo ser expandido para 38.000.
Convidado do amistoso, Pelé declarou entre outras coisas que "em poucos lugares do mundo se constroem complexos tão modernos quanto o estádio Corona", e que gostaria de ver o Santos construir um estádio igual.
Que semelhancas poderiam haver entre esse modelo, e a situação brasileira ?
Bem, vou colocar alguns "senões" nessa história. Eu sei, vcs vão pensar "lá vem o chato colocar algum defeito", e eu sei que sou, e é porisso que eu tenho apenas 6 leitores fiéis. Se fosse menos chato poderia ter mais. Lamento.
Mas o fato é que existem atipicidades sim.
Em primeiro lugar, o "modelo" é diferente porque o Santos Laguna não é um clube de sócios, como o Santos, mas um clube que pertence a uma empresa. No caso específico, a maior industria de bebidas do México, o grupo Modelo. A empresa criou o clube em 1982, como ponta de lança de sua estratégia de marketing visando associar as marcas do grupo ao esporte mais popular do México. Sendo assim, não foi um investimento de mercado, mas uma ação do grupo no sentido de, através do poder financeiro, dar mais visibilidade ao Laguna, que ainda é um clube relativamente pequeno. Pequeno mas com um padrinho poderoso.
O nome do estádio, Corona, é da cerveja mais vendida no país, uma das marcas do grupo, e portanto, não pode se caracterizar como uma operação de naming rights, porque o dinheiro sai de um bolso para entrar no outro (da mesma calça).
Sendo assim, é bem difícil para o nosso Santos, ou qualquer outro clube brasileiro, obter no mercado real os aportes para investimentos semelhantes.
Não acredito no modelo de times de empresas no Brasil. Acredito que nossos clubes de futebol podem ser geridos como empresas (em termos de eficiência), mas não pertencerem a empresas, que em algum momento podem desistir do projeto e repassar os times para os primeiros aventureiros de plantão.
E outra coisa. O estádio nem é essa Brastemp toda, pois 70% dos lugares não são cobertos. Modernidade estranha essa heim Pelé...

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Aos amigos Palmeirenses

Tenho o hábito de ler os blogs palmeirenses, em parte pelos amigos ligados a alguns deles, e também pela enorme expectativa gerada pela construção da nova arena entre os torcedores palestrinos.

Me agrada muito perceber como a construção da nova arena despertou o interesse dos torcedores, e a consequente busca por mais informações sobre esse assunto. Entre os meia dúzia de leitores do meu blog, diria que talvez metade sejam torcedores do verdão. Acredito mesmo, que não exista nenhuma torcida hoje no Brasil tão ligada e informada no assunto quanto eles.

Entretanto, lendo algumas das centenas de comentários nos diversos blogs, confesso que me diverte observar a verdadeira obsessão que a grande maioria dos palmeirenses tem em relação a capacidade da futura arena. Apesar do projeto prever uma capacidade de 45.000 lugares, a grande maioria quer porque quer, ou sonha, com pelo menos 10 ou até 15.000 lugares a mais.

Teorias para isso sempre existem.

O orgulho de ver construído o maior e melhor estádio privado do Brasil. O prazer de suplantar o rival do Morumbi. A ambição de reverter a indicação do estádio são-paulino como sede paulista da Copa no Brasil. Enfim, motivos não faltam. Claro que do ponto de vista do torcedor, todos os motivos anteriores são válidos, pois torcer por um clube é querer vê-lo sempre na vanguarda.

Já tive a oportunidade de opinar sobre isso em alguns blogs e conversar com os amigos palmeirenses, mas como não sou torcedor e minha visão é técnica, acabo sendo meio que um estraga prazeres. Então volto ao tema, e vou tentar o improvável, que é mostrar que o projeto para 45.000 lugares está bem adequado.

Partindo do princípio que a WTorre , investidora e construtora do estádio, não tem interesse em perder dinheiro, que razões ela teria para dimensionar o estádio em 45 e não em 55/60 mil lugares ?

Em primeiro lugar existe a limitação física, a área disponível. A idéia pueril de que em casa que come 1 comem 3, ou seja, em projeto que cabem 45 cabem 55, é falsa.

Portanto, aumentar 10 ou 15 mil lugares num projeto pode esbarrar em limitações arquitetônicas de vários tipos, considerando a concepção escolhida. No caso de 2 anéis, já que a área é a mesma, o que fazer ? Aumenta-se o anel inferior ? E a inclinação do anel superior como fica ? Aumenta-se o anel superior ? Mas e os custos com a circulação de mais gente no andar de cima (necessidade de mais rampas, escadas, elevadores e etc.) ? E a segurança no caso de necessidade de evacuação rápida da arena (quanto mais gente no anel superior mais lento o escoamento) ? E novamente, como fica a inclinação ? Uma arena não é um “puxadinho”.

Assim sendo, percebemos que a limitação de área é fator decisivo para a capacidade do projeto,deste ou de qualquer outro.

Mas a arena não poderia ser construída em outra área, maior ? Sim, mas nesse caso toda a concepção do negócio em si se perderia. O fato do clube entrar no negócio com o terreno, e portanto diminuir em talvez 1/3 o custo total caso a Wtorre necessitasse comprar outra área, tornou o negócio muito interessante para o clube. Sem essa área, possivelmente não haveria negócio, ou na melhor das hipóteses, os prazos de retorno do investimento seriam muito maiores, e as condições para o clube, inferiores.

Em segundo lugar, existe o fator comercial, e aqui eu descrevo dois exemplos de estádios, um construído e outro a construir, que ilustra o pensamento.

Em 1994, o Ajax possuía uma arena com oferta de 27.000 lugares. A taxa de ocupação média beirava os 100%, com demanda não atendida calculada em cerca de 15.000 torcedores por partida. O Amsterdam Arena foi erguido em 1997, com capacidade de 55.000 lugares. Nos primeiros 10 anos a média de ocupação situou-se na faixa de 48.000 lugares, tendo decaído nas últimas temporadas para cerca de 42.000. Importante lembrar que a área, cedida pela municipalidade na periferia da cidade, era compatível com o porte do projeto.

Há poucas semanas atrás quem apresentou o projeto de seu novo estádio foi o Tottenham Hotspur, tradicional clube do norte de Londres. A capacidade prevista é de 56.250 lugares, e substituiria o centenário White Hart Lane com oferta de 36.000.
O clube hoje possui 70.000 sócios-torcedores, e uma lista de espera de ingressos para a atual temporada acima de 23.000 pedidos, e a área disponibilizada para o empreendimento é de aproximadamente 60 acres (que acredito ser superior a área do Palestra).

Tendo em vista os números acima, comparemos com os números do Palmeiras hoje.

- O atual estádio não comporta mais que 30.000 torcedores (27/28 mil com segurança).
- A média de público no atual campeonato é de 18.047 torcedores.
- O clube hoje não possui um programa de sócio-torcedor que possa embasar uma demanda potencial mais apurada. Utilizar a quantidade de sócios do clube não é válido, pois nem todos são torcedores do clube.
- Como o clube não vende carnês de ingressos antecipados para a temporada, não existe uma quantidade definida e confiável de “lista de espera”.

Assim, analisando os números acima, percebe-se que não existiria segurança HOJE, para viabilizar um projeto de uma arena que dobre a capacidade de lugares ofertados pelo atual estádio. É claro que atualmente existe uma notória e real “sensação” de demanda reprimida, que seria atendida por uma nova arena, mais segura e confortável. Mas de quanto seria essa demanda é um número nebuloso. É preciso ressaltar que quanto maior a arena, mais onerosa é sua manutenção, e se a arena é super dimensionada, o retorno/viabilidade do investimento será prejudicado.

Além disso, é preciso lembrar ao torcedor palestrino que essa nova arena não será a arena para o resto da existência do clube. Dentro de um ciclo de renovação natural, dentro de 40/50 anos no máximo, ela estará em muitos aspectos obsoleta, e o clube certamente já estará planejando a construção de uma nova, que atenda melhor as necessidades do clube no futuro (em outro local),e talvez, com a tão sonhada capacidade para 60 ou 70 mil lugares, quem sabe ?

Com isso, não tenho a pretensão de “convencer” os palmeirenses de que uma arena com capacidade para 45.000 é “melhor” ou “certa”, mas sim de tentar encontrar bons motivos pelos quais provavelmente o projeto preveja 45.000 lugares, e não os sonhados 55/60 mil, até porque, a capacidade de sonhar é uma das principais razões de sermos considerados seres humanos.

Um abraço fraterno em todos.